Criptomoedas caem após sequência de recordes
O Bitcoin voltou a operar em queda nesta terça-feira (26), em meio a incertezas políticas e ajustes de mercado. Durante a madrugada, a criptomoeda chegou a ser negociada a US$ 109,2 mil, depois de ter atingido em 14 de agosto o recorde de US$ 124,1 mil.
O recuo ocorre dias após uma série de valorizações que levaram o ativo a novas máximas, apoiadas pelo otimismo com os mercados globais de ações.
O Ethereum (ETH) também acompanhou o movimento, recuando para US$ 4,3 mil após atingir a máxima de US$ 4,9 mil no último domingo (24).
Decisão de Trump amplia instabilidade política
A volatilidade foi acentuada após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a demissão de Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), sob alegações de irregularidades em financiamentos imobiliários.
A decisão, classificada como controversa por analistas internacionais, aumentou a percepção de risco político nos EUA. Esse cenário gerou repercussões imediatas no mercado de ativos digitais, historicamente sensíveis a mudanças de confiança e estabilidade.
Expectativa por cortes de juros pesa sobre mercado
Além da questão política, investidores também acompanharam os sinais do presidente do Fed, Jerome Powell, que na sexta-feira (22) indicou a possibilidade de cortes de juros em setembro.
Apesar da fala, o mercado segue cauteloso e aguarda novos indicadores econômicos. Segundo levantamento da LSEG, o Bitcoin já havia recuado para o menor nível em seis semanas na segunda-feira (25).
Comparação com quedas anteriores
Correções após recordes não são novidade no mercado cripto. Episódios semelhantes ocorreram em 2017 e 2021, quando, após máximas históricas, o Bitcoin perdeu parte de seu valor em poucas semanas.
| Ano | Recorde atingido | Correção subsequente |
|---|---|---|
| 2017 | US$ 19,8 mil | Recuo para US$ 6 mil em 2018 |
| 2021 | US$ 68,7 mil | Queda para US$ 29 mil em 2022 |
| 2025 | US$ 124,1 mil | Recuo atual para US$ 109,2 mil |
Especialistas destacam que, apesar da queda, o ativo ainda acumula forte valorização no ano e mantém perspectiva de longo prazo positiva.
Impactos no Brasil
No mercado brasileiro, corretoras relatam aumento no volume de saques e maior procura por stablecoins (como USDT e USDC), usadas como proteção contra volatilidade.
Plataformas que operam no país, como Binance e Mercado Bitcoin, registraram movimento de cautela entre investidores, mas analistas afirmam que o interesse estrutural em criptoativos segue em alta.
Para investidores locais, o recuo reforça a importância de adotar estratégias de diversificação e não expor integralmente o portfólio às oscilações do Bitcoin.
Perspectivas
Embora a pressão política e monetária nos EUA tenha causado incertezas, analistas avaliam que o recuo representa uma correção saudável em um mercado que vinha de altas consecutivas.
“Esse movimento é típico do ciclo do Bitcoin. Após recordes, o mercado ajusta posições e volta a buscar novas referências de preço”, afirma relatório da LSEG.


